segunda-feira, 11 de abril de 2011



Largado no canto da mesa morta

Clamando por um pouco de atenção

Lá estava, entregue a poeira.

Me encomodava vê-lo triste em plena inutilidade

Revoltei-me!

Eis meu coração Mais um esquecido caneco furado!



Essa é uma pequena poesia que escrevi assistindo a uma aula de literatura Matogrossense em 2005, na qual se referia ao nosso querido Manoel de Barros e sua delicadeza ao falar de coisas simples. Foi quando surgiu do professor o comentário, que se Barros olhasse um caneco furado ele escreveria uma linda poesia sobre o tal. E o caneco não saiu da minha mente durante toda aula. Foi então que rabisquei o versinho.

domingo, 3 de abril de 2011














Lá está a janela
Parada triste janela
Por ela passa o Sol e passa a Lua
Por ela se vê a Rua.

Triste janela, que não se movimenta
Vê os dias irem embora
Sem poder acompanhá-los
As crianças jogando bola
As pipas voando pelos ares

Oh triste janela!
Que viu a sua amada partir
Que enxugou as lágrimas de março
E viu o velho correr com pernas de pau

A janela que tudo espera
E nada faz
Êta janela triste!
Triste por demais.

domingo, 13 de março de 2011



A porta se abriu, Maria!
O que pensas?
Irá sair e encarar a vida,
ou continuarás contida?
Sonho, realidade? - Verdade!
Farás o que manda teu coração?
Crês que se sair não irás mais entrar
E se permancer...
Oh, Maria! Decida.
Para onde irás tua vida?
Se Vive ou se morre.
Não adormeça, não agora!
Chora! Não, Maria.
Acorde, não sonhes...
Sonhos são em vão,
não sucedem, não vingam.
Ouça; Olhe para fora,
a porta continua aberta.
Saia, encare, enfrente!
Reaja Maria!
Acorde!
Não durmas agora, não agora...

domingo, 27 de fevereiro de 2011


Hoje parei para olhar a chuva
cada gota gotejante
que perde suas asas
e logo rastejando
vem meus pés molhar

Também olhei à noite, a rua
com suas estreitas calçadas nuas
sem almas a caminhar

Vi as estrelas, linda lua
que nesta noite, chuva
ainda vem me banhar

Como é grande a imensidão
da curta rua numa noite de solidão
molhada de chuva e luar

Como é triste o meu caminhar.
Solitário, curto e frio
É o mal por tanto amar.

Se o vento que agora sopra em minha janela
É o vento que o levará embora,
Então sofro.
E este sofrimento, cinza e amargo,
Não o impede de ir.
Sua passagem ventania em minha vida
Trouxe-me as mais belas histórias
E, como avisaste que és muito leve para afixar-te,
O deixo partir
Na esperança de que um dia volte
E traga consigo o meu sorrir
Para que eu possa sem medo
abrir a janela...